¡Ay de aquel que navega, el cielo oscuro, por mar no usado
y peligrosa vía, adonde norte o puerto no se ofrece!
Don Quijote, cap. XXXIV

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segunda-feira, junho 15, 2009
 
AOS DEFENSORES
DE PRIVILÉGIOS
PARA SI PRÓPRIOS



Caros:

Questões estéticas para mim é uma coisa. Saúde é outra. Se alguém foi premiado com um câncer, Aids, mal de Huntington, se alguém tem problemas cardíacos, respiratórios, glicêmicos – e ajunte-se aí todas as demais doenças do mundo – entendo que o Estado cuide da cura ou tratamento. Em verdade, não cuida ou cuida muito mal. Qualquer pessoa que consegue pagar um plano de saúde não vai confiar na rede pública. Que o digam o vice-presidente da República e a candidata petista à Presidência da República. Na hora do Jesus-tá-chamando, não procuram a rede pública, mas o mais prestigiado hospital do país.

Mas se uma pessoa quer embelezar seus seios ou traseiro, isto pertence ao âmbito privado. Se um travesti ou transexual tem direito a cirurgias estéticas, por que não o teria qualquer outra pessoa que não goste de seu nariz ou de sua boca ou de sua barriga? Ou mesmo de seus seios ou de seu traseiro? Terá de declarar-se homossexual para receber tratamento do Estado?

Por que alguém, só porque quer mudar de sexo ou só porque mudou de sexo, teria atendimento privilegiado em relação a pessoas que não estão preocupadas em mudar de sexo, mas apenas em sobreviver? Neste Estado de São Paulo, em que as ambições eleitorais de um antigo comunista o levam a criar clínicas especiais para homossexuais, travestis e transexuais, mais de 70 mil credores de precatórios já morreram sem que o Erário lhes tenha pago o que era legitimamente devido. Credor de precatório nunca é um jovem. São pessoas de idade, com todos os problemas de saúde decorrentes da idade. Como pode um governo – que caloteia seus governados e os deixa morrer por calote – privilegiar veleidades estéticas de pessoas insatisfeitas com o próprio sexo?

O tratamento privilegiado, como pretende um dos leitores não “se refere ao privilégio de sermos respeitadas e orientadas”. A notícia é clara. Segundo os jornais, o centro de atendimento terá profissionais nas áreas de medicina, enfermaria, psicologia, nutrição e dietética e fisioterapia especializados no atendimento a gays. Ora, que país é este em que um negro tem mais direitos que um branco na hora de disputar uma vaga na universidade e um homossexual tem mais direitos que um hetero na hora de tratar de saúde?

Admitamos – por razões de argumentação - que não seja fornecido silicone nos ambulatórios, mas somente o trabalho dos médicos. Ora, por que estranhas razões este trabalho médico deve ser fornecido a homossexuais e não a heteros? Certo, nem toda pessoa travestida se endereça à prostituição. Mas todos os travestis que se prostituem utilizam silicone e hormônios. Prostituição, pelo menos por enquanto, é iniciativa privada neste país. Por que raios eu – que já tenho de subsidiar shows do Caetano e da Maria Bethania - tenho ainda de financiar adereços do comércio sexual? Sugiro a todo cultor de travestis, na hora da negociação, apresentar CPF e exigir desconto nos serviços prestados.

Meus caros homossexuais, travestis ou transexuais: longa vida a todos, muita saúde, boas transas e melhores transações. Só não esqueçam de que, ao receberem atendimento privilegiado, estão subtraindo vida das pessoas que morrem nas filas de espera do SUS ou dos precatórios. Tudo isso em nome das pretensões eleitorais de mais um político medíocre e ambicioso.

Mais um pouco e teremos cotas para homossexuais na universidade. A bandeira já foi içada e faz carreira entre os defensores de privilégios para si próprios.