¡Ay de aquel que navega, el cielo oscuro, por mar no usado
y peligrosa vía, adonde norte o puerto no se ofrece!
Don Quijote, cap. XXXIV

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quinta-feira, junho 11, 2009
 
MÁFIA DO DENDÊ USA E ABUSA
DE CORRUPÇÃO LEGALIZADA



Deve fazer uns bons trinta anos que não vejo filmes nacionais. Uma das razões – mas não a mais importante – é que há anos venho subsidiando o cinema brasileiro com meus impostos, através da famigerada renúncia fiscal. Certo, quem renuncia são as empresas. Mas acaba sobrando para o contribuinte. Não só eu, mas todos nós. Se paguei a produção, não vejo porque pagar entrada. Se um dia o produtor mandar uma limusine até aqui em casa para levar-me ao cinema, posso até pensar no assunto. Mas só pensar. Provavelmente não irei. Porque o cinema nacional, como é feito, não me atrai.

Renúncia fiscal é legal, é verdade. Ocorre que, na maior parte dos casos, é imoral. Digo mais, é a corrupção dentro das devidas formas da lei. Por que razões um CD de Caetano Veloso, por exemplo, precisa ser subsidiado com dois milhões de reais, arrancados do Erário? Seria Caetano um artista iniciante que precisa de estímulos financeiros? Seria sua música de tal importância cultural que mereçam financiamento público?

Leio na Folha de São Paulo que a Comissão Nacional de Incentivo à Cultura (CNIC), que analisa os projetos aspirantes ao benefício da lei Rouanet, negou autorização para que os produtores do músico baiano Caetano Veloso captem patrocínio para o novo trabalho do artista, o CD "Zii e Zie". Em boa hora negou. Caetano, além do que receberá por seu CD, embolsaria de inhapa mais uma gorda propina. O fato é que a lei Rouanet tem sido amplamente utilizada para financiar espetáculos que se pagam sobejamente e ainda resultam em gordos lucros.

Foi o caso do Cirque du Soleil, por ocasião de sua apresentação em São Paulo. Ora, desde quando uma empresa internacional, que cobra preços altíssimos por ingresso e tem seus espetáculos sempre lotados, precisa de apelar ao contribuinte brasileiro? O brasileiro, qual boi dócil à canga, não tuge nem muge. A nobre classe artística nacional que me perdoe. Mas isso é corrupção pura e simples.

Leio ainda que, ano passado, Maria Bethânia recebeu 1, 8 milhão de patrocínio. Poderosa, a Máfia do Dendê. O patrocínio foi inicialmente veto, mas o ministro da Cultura, Juca Ferreira, vetou o veto. Segundo a Folha, o ministro provavelmente derrubará o veto ao show de Caetano. Não bastasse o contribuinte financiar silicone e hormônios para travestis, terá de financiar canalhas que não têm pudor algum em enfiar a mão em seu bolso.

Por muito menos que isso, os Estados Unidos declararam sua independência.