¡Ay de aquel que navega, el cielo oscuro, por mar no usado
y peligrosa vía, adonde norte o puerto no se ofrece!
Don Quijote, cap. XXXIV

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quarta-feira, junho 10, 2009
 
NA REPÚBLICA DAS COTAS

De um leitor, que se assina Paulo, recebo:

Sobre a suposta “cota para gays”

Olá, Janer!

Bastante sensacionalista a sua nota sobre a criação de supostas "cotas para gays". Ficou parecendo até que foi um artigo escrito por esses filósofos-astrólogos, não combinou com o que você costuma escrever. O que foi criado pela Secretaria de Saúde de São Paulo foi um ambulatório específico para o atendimento de transexuais. Em hospitais de referência existem ambulatórios específicos para centenas de problemas de saúde, como ambulatórios para variados tipos de câncer, anorexia, obesidade, hanseníase, etc. E agora foi criado um ambulatório para transexuais. Os transexuais, em geral, precisam de atendimento específico, sobretudo quando irão passar pela cirurgia de resignação sexual, que é um procedimento relativamente complexo, que exige o acompanhamento de profissionais de várias especialidades. Isso nada tem ver com cotas. E também não tem nada a ver como homossexuais. Transexualismo é considerado uma doença pela medicina*, por isso os transexuais têm direito a serem tratados pelo Sistema Público de Saúde. Transexualismo não tem nada a ver com homossexualismo (ou homossexualidade, como queira chamar). Homossexualidade não é vista como doença ou transtorno pela medicina e pela psicologia porque a homossexualidade é considerada apenas uma preferência; assim como uns são atraídos pelos amarelo, outros são atraídos pelo azul. Já o transexualismo é um transtorno de gênero, é como se você tivesse um cérebro feminino em um corpo masculino ou vice-versa, o que, em geral, cria profundo sofrimento ao portador.

*A não ser que o transexual se sinta bem com sua condição (o que não é comum). Nesse caso não deveria ser considerado nenhum transtorno.

Paulo.



Meu caro Paulo:

Segundo a notícia, a clínica é para "atendimento exclusivo de homossexuais, travestis e transexuais" e não um "ambulatório específico para o atendimento de transexuais", como escreve o leitor. Se existem "ambulatórios para variados tipos de câncer, anorexia, obesidade, hanseníase, etc", esses ambulatórios classificam os pacientes por doenças e não por opções sexuais. De minha parte, sempre defendi o direito de qualquer pessoa exercer sua sexualidade com quem bem entender. Não tenho nada contra homossexuais, travestis ou transexuais. Cada um na sua. O que não se admite é que tenham tratamento privilegiado em função de suas opções sexuais.

Vivemos na República das Cotas. Um tem mais direitos que os brancos porque é negro. Outro tem mais direitos porque é índio. Agora, entramos na órbita dos que têm mais direitos à saúde do que os heterossexuais ... porque são homossexuais, travestis ou transexuais.

Não se trata de uma “suposta” cota para gays. Trata-se de uma cota, simplesmente, sem nada de suposta.