¡Ay de aquel que navega, el cielo oscuro, por mar no usado
y peligrosa vía, adonde norte o puerto no se ofrece!
Don Quijote, cap. XXXIV

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sexta-feira, junho 05, 2009
 
OBAMA E OSAMA


Obama está finalmente mostrando ao que vem. Em discurso na Universidade do Cairo, pretendeu unir o que não pode ser unido. Ou seja, Ocidente e Islã. Citando o Alcorão, afirmou que "aquele que mata um inocente, é como se tivesse matado toda a humanidade". Esqueceu de uma surata, aquela em que Mahomé prega: “Os infiéis, matai-os onde os encontrardes”.

Disse ainda o presidente americano: "Ninguém deve tolerar os extremistas. Eles mataram em muitos países, gente de diferentes crenças. Suas ações são irreconciliáveis com os direitos humanos, o progresso das nações e o Islã". Estaria falando de Maomé? O profeta não conduziu os árabes à fé através da habilidade do bom discurso e de um raciocínio correto, mas pela violência e ameaça. Homem de guerra, o profeta liderou sete anos de sangrentas batalhas entre Medina, muçulmana, e sua cidade natal, Meca, cujos principais representantes eram pagãos. No transcurso de sua vida, Maomé comandou 27 expedições militares e organizou outras tantas, lideradas por seus subordinados. Quem não se rendesse ao Islã e pagasse o dízimo poderia ser roubado, escravizado ou morto pelos crentes.

Na batalha dos muçulmanos contra a tribo judaica de Bani Qurayzah, todos os homens foram condenados à morte e as mulheres e crianças à escravidão. Setecentos judeus foram decapitados com um golpe de espada e tiveram seus corpos jogados em valas. A matança durou o dia todo e o último grupo foi executado à luz de tochas. Quem entra em Meca, em janeiro de 630, não é um profeta imbuído de mensagens de paz, mas um Maomé conquistador à frente de um exército vitorioso. Maomé conseguiu, antes de sua morte, unificar praticamente toda a Arábia sob uma só religião, o Islã... a golpes de espada. Não bastassem estes episódios históricos, o Alcorão concita os muçulmanos em várias de suas suras a exterminar os infiéis.

Obama não deve ser pessoa desinformada. Pretender desvincular as recentes ações terroristas do Islã é desconhecer como o Islã se expandiu. Ora, não faltará ao entourage de um presidente americano quem entenda de História. Verdade que a Bíblia é responsável por mais massacres que o Corão. Mas o cristianismo, bem ou mal, civilizou-se. O mundo muçulmano ainda não.

Diz Obama que os EUA e o Islã “se misturam e dividem princípios comuns. Princípios de justiça e de progresso; de tolerância e de dignidade para todos os seres humanos". Falou em princípios comuns no país regido pela ditadura de Hosni Mubarak. Ora, me parece um tanto inviável encontrar identidade entre uma ditadura árabe e uma democracia ocidental. Entenderá o presidente americano como tolerância e de dignidade para todos os seres humanos a sharia? A mutilação física como punição? A lapidação de mulheres adúlteras ou de virgens que tiveram relações sexuais? A impossibilidade de uma mulher escolher um marido? Isto é o Islã. Buscar princípios comuns entre nações onde as mulheres são livres para relacionar-se quando, onde, como e com quem bem entendem com uma cultura onde a mulher é propriedade do pai ou do marido não me parece busca sensata.

Obama começou falando da importância do islamismo para o mundo e de sua experiência pessoal, tendo vivido na Indonésia e com raízes em uma família muçulmana do Quênia. Ocorre que Obama não vive mais no Quênia, mas numa democracia ocidental. Foi graças aos valores desta nação que ascendeu à condição de mais importante líder no planeta. Sua cultura é a mesma de um homem ocidental, não a de um homem islâmico.

Segundo Obama, ações como as do Hamas, como "disparar foguetes contra crianças dormindo ou explodir bombas em ônibus com mulheres idosas", não produzem resultados. Esqueceu de dizer que, além de não produzirem resultados, constituem terrorismo. Quanto às mulheres, disse rejeitar "a visão de alguns no Ocidente de que a mulher que decide cobrir seu cabelo é de alguma forma menos igual”. Esqueceu de dizer que mulher alguma deve ser obrigada a usar véu. Disse “que negar o direito à educação a uma mulher é como negar o direito à igualdade. E não é coincidência que países com mulheres educadas são mais prósperos". Esqueceu de dizer que na maioria dos países muçulmanos este direito é negado às mulheres.

A mulher, este é o nó górdio que separa Islã e Ocidente. Enquanto uma mulher não tiver os mesmos direitos que um homem no universo muçulmano, diálogo algum é possível. Obama, líder que não precisa curvar-se a nação alguma, está mais parecendo o papa de Roma, que quer agradar todas as nações.

Osama, se vivo estiver, é mais coerente.