¡Ay de aquel que navega, el cielo oscuro, por mar no usado
y peligrosa vía, adonde norte o puerto no se ofrece!
Don Quijote, cap. XXXIV

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terça-feira, junho 09, 2009
 
PETROBRAS DESCOBRE BLOG


Que os blogs são mais ágeis que os jornais, isto desde há muito se sabe. O mesmo diga-se do jornalismo on line. Para quem busca informações via internet, todo jornal em papel tem um ar de déjà-vu. Profetas apressadinhos anunciam a morte dos jornais. Ora, o jornal não morre. Jornalismo é reportagem, pesquisa, entrevistas, fotografia. O que pode ocorrer é que os jornais assumam um novo formato, o eletrônico. Poder-se-ia talvez pensar na morte do jornal em papel. Mas não do jornal em si.

A Petrobras parece ter descoberto o blog. E tomou uma iniciativa que está desconcertando os jornalistas. Quando seus funcionários são entrevistados, publica a reportagem em seu blog, antes mesmo de que ela seja publicada nos jornais. Revolta nos meios jornalísticos. Para a Associação Nacional dos Jornais, a atitude quebra o caráter confidencial que deve ter a correspondência entre os jornalistas e as fontes oficiais da empresa, revelando uma "canhestra tentativa de intimidar" a imprensa.

Em entrevista para o Estadão, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cezar Britto, considera que a companhia pode encontrar outras formas de garantir a transparência e a publicação de suas posições em matérias jornalísticas sem quebrar o princípio de exclusividade, que faz parte da essência da atividade. "Não há nada contrário a uma instituição criar um blog como fonte de informação de seu pensamento, é até recomendável. Porém, não é recomendável que se quebrem as cláusulas de exclusividade com os jornalistas. Há uma quebra dos princípios da boa convivência".

Na Folha de São Paulo, protesta Igor Gielow: “Tem a cara do governo Lula a nova diretiva de comunicação da Petrobras em tempos de guerra, aliás, CPI. A empresa inaugurou um blog no qual faz comentários, digamos assim, editoriais sobre reportagens que lhe dizem respeito. Mas não é só isso. Questionamentos de jornalistas são publicados com as respostas que o Oráculo de Macaé achar adequadas. A Petrobras alega que isso é uma inovadora política de transparência de informações públicas.

“Cascata. O objetivo é tentar esvaziar a bola das denúncias que inevitavelmente chegarão a seu balcão, contra-informação pura. Há uma quebra de contrato ao divulgar as informações de que os jornalistas dispõem, não raramente peças de quebra-cabeça ainda em formação”.

A estatal não acha que haja quebra de contrato nenhuma. Considera que tem liberdade para publicar a íntegra das respostas que fornece aos veículos de comunicação porque é fonte e detentora dos dados disponibilizados. “No campo jurídico, especialistas consultados reafirmam a legalidade de nossa decisão. Cabe-nos, entretanto, ressaltar que a medida não tem como objetivo prejudicar o trabalho dos jornalistas”.

Os jornalistas não estão gostando de serem furados pela fonte. Pelo jeito, ainda não assimilaram as possibilidades da internet. Se os jornais antecipam até mesmo informações sigilosas, por que não poderia uma empresa vazar uma entrevista? De qualquer forma, o antídoto está ao alcance de todos os jornais. Basta publicar a reportagem na edição on line. Verdade que esvazia um tanto o jornal do dia seguinte.

Mas internet é isso mesmo. Ou pretenderão os jornalistas censurar outras fontes de informação que não os jornais?