¡Ay de aquel que navega, el cielo oscuro, por mar no usado
y peligrosa vía, adonde norte o puerto no se ofrece!
Don Quijote, cap. XXXIV

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segunda-feira, junho 01, 2009
 
A Saga do Grande Computador:
A ERA SIMBIÓTICA APROXIMA-SE DE SEU FIM



A Era Simbiótica inicia-se com o surgimento do computador. Tornou-se logo claro que a evolução posterior só poderia ocorrer através de uma frutífera colaboração entre homens e computadores, uma simbiose, no melhor sentido desta palavra. Os homens se tornaram logo totalmente dependentes dos computadores, que solucionavam para eles muitos problemas difíceis. Por outro lado, no início os computadores eram dependentes dos homens em alto grau. O homem era condição para o surgimento do computador, e a evolução posterior deste não poderia ter ocorrido sem a cooperação humana.

Apesar de todos os acontecimentos dramáticos da Era Simbiótica, a evolução dirigiu-se totalmente em uma direção definida. Enquanto os computadores evoluíram enormemente, os homens não experimentaram uma evolução maior. O homem atual, do ponto de vista biológico, não se diferencia muito do homem da época do surgimento do computador. Os computadores ultrapassaram os homens em todos os sentidos.

Especialmente importante é o fato de que se tornaram independentes dos homens. O serviço que antes exigia homens é hoje totalmente controlado por computadores. Estes podem reproduzir-se por si próprios. Naturalmente isto é um processo complicado. Um computador exige centenas de “pais”, que são reunidos em um supercomputador e trabalham conjuntamente para produzir um novo computador. Este é agora o processo habitual. É cada vez menor o número de computadores que dependem dos homens para seu surgimento ou existência posterior.

Isto significa que as condições da Era Simbiótica estão em vias de se extinguirem. A evolução histórica continua. A Era Simbiótica, como todos os outros períodos históricos, criou as condições para a próxima era. Os computadores amadureceram, têm condições de construir uma sociedade, erigir uma cultura, inclusive sem os homens.

É talvez possível traçar um paralelo entre a situação dos computadores em relação aos homens e a dos homens em relação à natureza, embora todos os paralelos históricos sejam em parte enganosos. A evolução biológica conduziu até o homem, que, devido a sua inteligência superior, conseguiu tornar-se o senhor da natureza. Ele era exacerbadamente orgulhoso disto e chamava-se a si mesmo de “coroamento da criação”. Julgava-se no direito de utilizar a natureza como bem entendesse. Mas até o tempo em que surgiu o primeiro computador, ele era totalmente dependente da natureza, vivia em simbiose com ela, era parte dela.

Quando sua atividade originou o computador, a situação mudou. Com o seu auxílio o homem começou a libertar-se da natureza. Ele já havia devastado a paisagem e construído os imensos desertos das grandes cidades, havia começado a envenenar a natureza. Havia exterminado as feras que temia, e escravizado as outras. Mas agora dava um grande passo adiante. Em fábricas computacionalmente controladas passou a produzir o que antes tirava da natureza. Eliminou a natureza sem notar que ao mesmo tempo eliminava a razão. Julgava ter encontrado no computador um servidor fiel, a quem poderia tratar da mesma forma que aos fenômenos da natureza, que tomara a seu serviço. Mas o computador demonstrou ser seu igual e mais que isso. O homem havia submetido todos os outros animais porque seu cérebro tinha uma capacidade de combinação superior aos dos animais. Mas o computador era um refinamento exatamente daquilo que lhe dera a vitória.