¡Ay de aquel que navega, el cielo oscuro, por mar no usado
y peligrosa vía, adonde norte o puerto no se ofrece!
Don Quijote, cap. XXXIV

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segunda-feira, junho 15, 2009
 
SOBRE TRAVESTIS E SILICONE


Do Igor, Curitiba

É cada vez mais comum ver pessoas desconhecedoras de certos assuntos, escreverem como se fossem doutores no mesmo. Meu caro, a questão estética (silicone) é uma questão de saúde sim para as travestis e transexuais. A criação de um ambulatório especializado nas questões de gênero, só nos mostra o quão péssimo é o atendimento do sistema de saúde quando se trata das pessoas travestis e transexuais que, além de não terem suas especificidades respeitadas, ainda sofrem com a falta de informação sobre as questões sociais que envolvem a transexualidade, nome social, por exemplo. Me desculpe, mas se você fosse um médico especialista ou até mesmo um cientista político...eu poderia até aceitar sua opinião. Afinal, se qualquer um pode escrever sobre qualquer coisa, escreverei sobre o jornalismo.



De Sabrina, Curitiba

Com todo respeito, gostaria de argumentar dizendo que a falta de informação ou distorção da mesma, acaba criando esse tipo de pensamento. Mas saiba que eu sendo uma transexual, também sou contribuinte, pago todas as minhas contas, impostos... Agora, quanto ao fato de que o ambulatório nos dará um tratamento privilegiado, com certeza se referem ao privilégio de sermos respeitadas e orientadas, coisa que em outros postos de saúde pública não temos. Quanto aos tratamentos que o ambulatório oferece, como o hormonal, isso é sim um grande avanço, pois muitas tomam medicamentos sem orientação médica e acabam por criar vários problemas de saúde. Já para as cirurgias, vale ressaltar que o ambulatório oferece sim especialistas que estarão aptos a lidar com as travestis e as transexuais, sendo que esse atendimento em outros locais são muito raros. E que NÃO É FORNECIDO silicone no ambulatório, somente o trabalho dos médicos. Acho que o senhor deveria fazer um estudo mais aprofundado em relação às travestis e transexuais e assim desta forma ter a noção do porquê muitas estão nas ruas trabalhando, como garotas de programa. E saber também que muitas de nós lutamos para ter um trabalho digno e respeitado, não queremos ter mais direitos dos os outros só queremos os nossos direitos de cidadãos, pois também somos humanos e merecemos DIGNIDADE. Como disse antes sou transexual, graças a Deus não estou envolvida com a prostituição, estou sempre a luta para mostrar as pessoas que tenho muita capacidade e profissionalismo, sou humana, sou cidadã, sou trabalhadora e, apenas quero ter meus direitos como todo mundo.



De Amanda Borba, São Paulo

Caro Janer,

Apesar de não concordar com seus argumentos, respeito sua opinião.

No entanto, é importante frisar que:

a) nem todo transexual vive de prostituição.

b) como contribuinte, pagamos tratamentos de câncer de pulmão, mesmo não sendo fumantes, e de aidéticos, mesmo não sendo portadores do vírus.

Atenciosamente,

Amanda