¡Ay de aquel que navega, el cielo oscuro, por mar no usado
y peligrosa vía, adonde norte o puerto no se ofrece!
Don Quijote, cap. XXXIV

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sábado, junho 13, 2009
 
USP E INDIGÊNCIA INTELECTUAL


Desde universitário, considerei a universidade um dos redutos mais avançados do obsoletismo em termos de pensamento. Falo das ditas Ciências Humanas, bem entendido. Na área de ciências e tecnologia, não sobra muito tempo para masturbações intelectuais. E se há uma universidade obsoleta entre as obsoletas, esta é a USP. Foi através da USP que o marxismo foi introduzido no país e é através da USP que se propaga às demais universidades. A prestigiosa USP foi, sem sombra de dúvidas, um dos grandes fatores de atraso intelectual do país.

Y a las pruebas me remito. A recente greve que paralisou parte da universidade por 40 dias foi obra de meia dúzia de gatos pingados, malucos só concebíveis em museus como a Coréia do Norte, se é que na Coréia do Norte há greves. A baderna, liderada por um tal de Claudionor Brandão, líder do do Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da USP), remete o Brasil há meio século atrás. Membro de um grupo denominado "Liga Estratégia Revolucionária", uma dissidência do PSTU, ele acredita que só com a revolução armada seja possível alcançar o comunismo.

Pelo jeito, o líder sindical não leu jornal algum nas últimas duas décadas. Duvido que em qualquer outra universidade brasileira que não a USP algum demente ainda pensasse em alcançar o comunismo. Em janeiro de 2000, escrevia José Arthur Rios:

“Na Europa, nos arraiais das ciências da sociedade, muito antes da queda do Muro e do desmoronamento do regime soviético e dos seus satélites, o Marxismo era visto como doutrina sectária e ultrapassada. Com exceção da França, não desfrutava do prestígio intelectual dos anos 40 e 50. Nada parecia alterar, nestes trópicos, a tranqüilidade dos meios acadêmicos, cada vez mais dominados pela esquerda, criando o paradoxo de um ensino superior eivado de marxismo sob um regime militar em choque contra a guerrilha armada, o terrorismo e a subversão”.

Mais de meio século depois de a Europa ter abandonado uma doutrina do século XIX, um sindicalista celerado ainda pensa em comunismo neste país incrível. Que um operário analfabeto alimente tais desvarios, até que se entende. Mais difícil de entender é que universitários da USP o defendam.

No fundo, a universidade que se pretende a mais excelsa do país, nada mais faz senão demonstrar sua indigência intelectual.