¡Ay de aquel que navega, el cielo oscuro, por mar no usado
y peligrosa vía, adonde norte o puerto no se ofrece!
Don Quijote, cap. XXXIV

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terça-feira, julho 14, 2009
 
CONY CADUCOU


Escreve Carlos Heitor Cony, hoje, na Folha de São Paulo:

Mesmo assim, lembrei que a corrupção, aqui e em qualquer lugar, nasceu lá atrás, quando o Criador mandou que todos, homem e mulher inclusive, crescessem e se multiplicassem. Esta multiplicação deu no que deu. Arrependido, o Criador não deu uma entrevista exclusiva para a "Veja". Foi bem mais radical e eficiente: abriu as cataratas do céu e inundou a Terra, só salvando um justo e os animais, um de cada espécie.

Não adiantou. As filhas de Noé embebedaram o pai e deste incesto nascemos todos.


Carlos Heitor Cony, jornalista contemplado com uma gorda bolsa-ditadura, além de ter sido seminarista, é imortal da Academia Brasileira de Letras. (Assim como um outro impoluto personagem, José Sarney). Analfabeto não há de ser. Só resta uma hipótese: está caducando.

Para começar, não foi por corrupção que o bom Jeová destruiu a quase totalidade do gênero humano, isso sem falar nos animais, que com corrupção nada tinham a ver. Jeová extermina todo o gênero humano porque os filhos dos deuses haviam descoberto que as filhas dos homens eram belas e com elas se cruzaram. Só porque os filhos dos deuses admiravam a beleza, Jeová destrói o gênero humano, exceto Noé e os seus. É o ódio hebraico à beleza que determina o genocídio do Gênesis.

Continuando: de fato, segundo o mito bíblico, somos todos filhos de incesto. Mas o incesto primevo é anterior a Noé. É o de Eva. O cronista está confundindo o dilúvio com Sodoma. Noé também tomava seus porres. Mas as moças que embebedaram o pai e com ele tiveram relações foram as duas filhas de Ló.

Gênesis, 19:

37 A primogênita deu a luz a um filho, e chamou-lhe Moabe; este é o pai dos moabitas de hoje. 38 A menor também deu à luz um filho, e chamou-lhe Ben-Ami; este é o pai dos amonitas de hoje.