¡Ay de aquel que navega, el cielo oscuro, por mar no usado
y peligrosa vía, adonde norte o puerto no se ofrece!
Don Quijote, cap. XXXIV

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sexta-feira, julho 17, 2009
 
MENSAGEM DO PIAIA


Escreve Raphael Piaia em seu blog, http://zefirosblog.wordpress.com:


Levítico 20:13 Quando também um homem se deitar com outro homem, como com mulher, ambos fizeram abominação; certamente morrerão; o seu sangue será sobre eles.

Não me parece exagero tratar a religiosidade como uma doença. Um vírus altamente contagioso e mutável, sempre se adaptando para sobreviver. É claro que os crentes que ouvirem isso vão se indignar, mas eu não disse que as pessoas são obrigadas a cuidar dessa doença.

Há pouco o Janer comentou em seu blog sobre a sra. Rozângela Alves Justino, psicóloga ameaçada de perder seu registro no Conselho Federal de Psicologia por oferecer tratamento aos que “estão homossexuais”. Para sra. Justino, homossexualismo é uma doença que, como tal, pode ser curada. A psicóloga, que claramente é evangélica, decerto discordaria quando eu avento que a religiosidade pode ser uma doença. Da mesma forma que discordo quando ela afirma, no alto da parvoíce da qual só os crentes são capazes, que homossexualismo é um vício. E ficamos nisso. É assim mesmo que as coisas funcionam. Afinal, ninguém é forçado a procurar os serviços da sra. Justino.

É sabido que na internet encontra-se de tudo, desde figuras como Olavo de Carvalho até cópias um pouco mais vulgares dele – se é que isso seja possível. Rozângela é uma delas, síntese perfeita de carolas conservadores (ou direita cristã). Deve ser calada e ter seu registro cassado por isso? Evidente que não. Manifestar crença e opinião livremente é fundamento básico de qualquer democracia. No Brasil, apesar de tudo, é garantia constitucional. Ocorre que o politicamente correto já vai tão avançado em nossas terras que opiniões que não gozem de aprovação das chamadas minorias transforma-se imediatamente em injúria. Se você entende que a cultura africana não fez nenhuma contribuição relevante ao mundo que se equipare às européias, não poderá lecionar. Se você não aceita que a construção de uma canoa ou oca seja tão importante quanto de um aqueduto ou navio transatlântico, também não. Nesses dois casos, trat a-se de meras observações que levam a conclusões óbvias, porém politicamente incorretas. No caso da psicóloga Justino, longe de termos uma observação, tem-se uma opinião subjetiva e estúpida, porém também politicamente incorreta. Acontece que, como já dito, ser estúpido é prerrogativa dos homens livres. Mesmo quando essa estupidez subjetiva e cretina vai de encontro ao politicamente correto.

Entre gente como Luiz Mott – um dos líderes do movimento gay brasileiro – e esse pessoal não há muita diferença. De um lado está um militante homossexual imbecil que não se importa em divulgar o endereço de seus inimigos ideológicos a qualquer maluco que tenha interesse em procurá-los, do outro alguns sujeitos que curiosamente gastam tempo demais se preocupando com as práticas sexuais alheias. Pensem no Júlio Severo, por exemplo. Não sei se eu sentiria orgulho em ter meu nome, sempre, automaticamente associado à luta contra a “pérfida imoralidade dos gays”. Especular que esses crentes têm uma grande chance de serem mal resolvidos não é argumentação ad hominem, mas um raciocínio bastante razoável.

Quando eu digo que esses fundamentalistas são aliados involuntários da esquerda, me refiro também a coisas assim. É por essas e outras que ainda hoje muitos acreditam que as esquerdas detêm o monopólio da moral e da justiça. Contudo, esse é um dos preços da liberdade. Contanto que ninguém seja arrastado ao consultório da sra. Rosângela Justino, por que ela não deveria tentar trazer de volta à heterossexualidade aqueles que voluntariamente a procuram? Se seus pacientes se sentem culpados por suas escolhas sexuais a ponto de procurá-la, provavelmente se preocupam em serem coerentes com sua fé, de modo que ou devem abandonar o prazer ou a religião. Para mim a resposta a esse dilema seria fácil, entretanto essa é uma escolha que só eles podem fazer.

Enfim, que mais não fosse, se o repúdio ao homossexualismo ou a incitação ao que alguns entendem como homofobia forem efetivamente criminalizados, o livro que fundamenta toda a fé cristã, no mínimo, precisará ser proibido. E, caros, se proibirem a bíblia, o que poderemos ler quando quisermos nos divertir?