¡Ay de aquel que navega, el cielo oscuro, por mar no usado
y peligrosa vía, adonde norte o puerto no se ofrece!
Don Quijote, cap. XXXIV

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segunda-feira, julho 13, 2009
 
TERÁ A FOLHA
O RABO PRESO
COM SENADOR?



Continuam se acumulando as denúncias sobre as falcatruas do presidente do Senado, o imortal José Sarney. Semana passada, o Estadão denunciava o desvio de R$ 500 mil da Petrobrás para a fundação que o senador criou em louvor ao próprio ego. Na edição desta semana, Veja revela mais uma, que certamente está longe de ser a última: uma conta na Itália, de 870,5 mil dólares, não declarados à Receita Federal.

A Folha de São Paulo continua dando espaço em página nobre ao senador ladrão. Inúmeros leitores têm escrito, seja ao Painel do Leitor, seja ao ombudsman, perguntando se o senador ladrão permanecerá como colunista do jornal. O Painel do Leitor publica cartas de leitores indignados com o político corrupto, mas nenhuma que se refira à manutenção de Sarney como colunista. O ombudsman passa a bola para o secretário de Redação. Este, por sua vez, remete aos leitores uma resposta esfarrapada padrão. Carta de um leitor:

Prezado Ombudsman,

Gostaria de saber a posição do "nobre" colunista Sarney frente a folha, pois é de extrema demagogia critica-lo ao mesmo tempo em que o temos como colunista.

Fica aqui registrado meu protesto, bem como pedido de retorno desse email.

Grato,

Hilton Vagner


Ombudsman mata no peito e passa a bola pra frente:

Caro Sr. Hilton,

Obrigado pelas suas observações, que encaminhei aos jornalistas responsáveis pela seção para que lhe respondessem diretamente. A resposta está abaixo.

O ombudsman não pode emitir juízo de valor sobre colunistas ou textos opinativos que saiam no jornal. Sua função é fazer a crítica técnica do jornalismo praticado pela Folha, não analisar as posições dos colunistas.

Um abraço,

Carlos Eduardo Lins da Silva


Secretário de Redação repete resposta esfarrapada padrão:

A Folha considera importante manter a pluralidade de opiniões na sua equipe de colunistas. Ressalte-se que o colunista em questão, até o momento, não foi condenado em nenhuma das acusações de que é alvo.

Ricardo Melo, secretário de Redação interino


No entanto, na edição de hoje, o próprio Ricardo Melo escreve:

“O presidente do Senado, José Sarney, pode tentar o quanto quiser, mas nada apaga a certeza de que, por conivência ou omissão, patrocinou uma rede de compadrio à custa de recursos públicos. Dinheiro este que certamente o Maranhão agradeceria tivesse sido utilizado para mitigar a miséria do Estado que deu fama e fortuna ao senador”.

O secretário de Redação, de público, afirma sua certeza de que o colunista da Folha patrocinou uma rede de compadrio à custa de recursos públicos. Em privado, na resposta esfarrapada ao leitor, salienta que o senador não foi condenado em nenhuma das acusações de que é alvo. A Folha, sempre solícita em publicar cartas denunciando corrupções, não publica nenhuma que questione sua cumplicidade com o senador ladrão.

Ora, a questão não é ter sido ou não condenado. O que se pergunta é se a Folha continuará dando sustentação a um político notoriamente corrupto. Que o Senado o segure, se entende, não há senador que não tenha se beneficiado das falcatruas praticadas na Casa. Que a Folha o mantenha como colunista, é mais difícil de entender. Os senadores têm o rabo preso com o senador ladrão. A Folha diz ter o rabo preso com o leitor.

Ou será com o senador?