¡Ay de aquel que navega, el cielo oscuro, por mar no usado
y peligrosa vía, adonde norte o puerto no se ofrece!
Don Quijote, cap. XXXIV

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quarta-feira, agosto 12, 2009
 
PRIORIDADE É DO HOMEM,
OS BICHOS VÊM DEPOIS



Para início de conversa, creio que os senhores ecólogos deveriam primeiro aprender português, para depois falar em ecologia. Já recebi cerca de trinta respostas à crônica “Catadores de macacos ameaçam rodovia” e esta é a quinta vez que leio “interar” por inteirar-se. Se isto já é feio em um simples ecólogo, mais feio ainda é quando parte do presidente da Associação Brasileira de Ecólogos. Pelo jeito, os catadores de macacos andaram faltando às aulas da língua vernácula. Isso sem falar nos demais atentados ao português cometidos pelos missivistas.

Dito isto, o que escrevi foi: “E tem mais: é ecólogo quem quiser. Ecólogo – ou ecologista, como pretendem alguns – não é profissão regulamentada. Ecólogo tem o mesmo status profissional de psicanalistas, astrólogos, quiromantes, jogadores de búzios, leitores de tarô e outros vigaristas. Isto é, nenhum”. Não chamei os ecólogos de vigaristas. Disse apenas que os ecólogos têm o mesmo status profissional de vigaristas como psicanalistas, astrólogos, quiromantes, jogadores de búzios e leitores de tarô. Vigaristas, a meu ver, são psicanalistas, astrólogos, quiromantes, jogadores de búzios, leitores de tarô e quejandos. Ao falar de corda em casa de enforcado, pelo jeito fui mal entendido.

Entendo que para ser ecólogo sejam necessários conhecimentos multidisciplinares e é salutar que existam cursos de ecologia. O que afirmei é que, não estando a profissão regulamentada, qualquer pessoa pode intitular-se ecólogo. Até a profissão de escanção já foi regulamentada. Mas a de ecólogo ainda não. Se para ser jornalista hoje voltou-se a dispensar o diploma – como era antes de 1969 - para dizer-se jornalista é preciso trabalhar ou ter trabalhado em algum órgão da imprensa.

Quanto a ser ecólogo, pelo que vejo, não precisa ter trabalhado em empresa nenhuma. Basta militar em organizações não-governamentais – subsidiadas pelo governo, é claro - e assinar manifestos em defesa do mico-leão-dourado, do curiango-do-banhado e do macuquinho-da-várzea. Basta dizer-se ecólogo. E ser contra qualquer tentativa séria de desenvolvimento do país, como construir estradas ou represas. É o suficiente. A rigor, se eu ou qualquer leitor quisermos intitular-nos ecólogos, não estamos infringindo dispositivo legal algum.

Por outro lado, é óbvio que não poucos sedizentes ecologistas estão se utilizando de subterfúgios para ludibriar e manobrar a opinião pública com mentiras e cenários irreais, a fim de satisfazer interesses escusos – para utilizar as palavras usadas pelo ilustre presidente da Associação Brasileira de Ecólogos. De um leitor do Paraná, recebi este depoimento:

Felizmente, para Curitiba, o macuquinho só serviu mesmo para atrasar um pouco as obras da Barragem do Iraí, que já a mesma está concluída e em operação. Mas que foi uma picaretagem das grossas, foi. Depois, descobriu-se que o tal passarinho, além de não sofrer qualquer ameaça, é também muito comum, pelo menos nos campos de Paraná e Mato Grosso do Sul. O resultado, além de render viagens aos EUA para os ornitólogos e elevá-los ao cargo de consultores (se bem me recordo, foram a Washington expor o caso ao banco financiador) só serviu mesmo para atrasar a obra e, acredito que isto deve tê-los deixado felizes, diminuir o lucro do malvado do empreiteiro que a executou. Lembro ainda mais dois casos.

1 - Os índios do Morro dos Cavalos, em Palhoça, Santa Catarina, que atrasaram a construção de um túnel nas obras de duplicação da BR-101, sob a alegação que tal obra iria prejudicar o seu comércio de artesanato.

2 - O papagaio-do-peito-roxo, que até hoje impede a completa duplicação do trecho paulista da Régis Bittencourt (Curitiba-São Paulo), lá pelos lados de Miracatu.


Por mais que ecólogos ou ornitólogos defendam a preservação de espécies ameaçadas, não me passa pela cabeça que bichos possam ter prioridade em relação ao bem-estar de seres humanos.