¡Ay de aquel que navega, el cielo oscuro, por mar no usado
y peligrosa vía, adonde norte o puerto no se ofrece!
Don Quijote, cap. XXXIV

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sexta-feira, setembro 11, 2009
 
IL VECCHIO SATIRO
E LE SUE DONNE



Tanto a imprensa nossa como a internacional têm dedicado páginas e mais ao que chamam de escândalos sexuais do primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi. Escândalo onde? O homem é divorciado e, pelo jeito, gosta de mulheres. Tem 73 anos e se ainda pode, que aproveite enquanto pode. São prostitutas? Berlusconi afirma que "nunca pagou para dormir com mulher". Pode ser. De qualquer forma, mulheres que dormem com chefes de Estado de alguma maneira são sempre recompensadas. E se forem profissionais, que sejam. Pelo que me consta prostituição não é crime na Itália.

Ocorre que il Cavaliere, como é chamado, não é de esquerda. Pelo contrário, pertence à direita italiana. Já François Mitterrand – que apesar de um passado nazista passou a militar no Partido Socialista francês - entronizou tanto a mulher como a amante e a filha da amante em suas pompas fúnebres e a imprensa não disse um pio desabonador. Na Casa Branca de John Kennedy havia um fluxo constante de mulheres, cujos nomes não eram registrados na lista de presenças. Além do mais, quem era Marylin Monroe senão uma vulgar vedetinha de Hollywood? Nem por isso John Kennedy foi estigmatizado pela imprensa.

Ao contrário, ser piranha de alto bordo parece conferir prestígio e há quem se disponha a pagar alto por uma vizinhança póstuma. O túmulo localizado logo acima do túmulo de Marylin Monroe no cemitério de Westwood Village Memorial Park, em Los Angeles foi colocado à venda em agosto passado por 500 mil dólares no site de leilões Ebay. "Esta é uma oportunidade única em uma vida, de poder passar a eternidade justo acima de Marylin Monroe", proclama o anúncio do leilão. Um túmulo próximo ao da atriz foi comprado por 75 mil dólares por Hugh Hefner, o fundador da revista Playboy.

Por que il Cavaliere não pode? É multimilionário e pode comprar quantas mulheres quiser. Que certamente lhe custarão menos caro do que lhe custou sua ex. Escândalo seria se pagasse com dinheiro do contribuinte. Mas, a bem da verdade, esta acusação jamais lhe foi feita.

Já abaixo da linha do Equador não existe pecado algum em financiar turismo sexual com dinheiro público. A Câmara Federal – isto é, o contribuinte – financiou sete viagens, sendo uma delas a Miami, para a namoradinha de um deputado potiguar e sua mãe. Turismo sexual só é criminalizado quando estrangeiros o fazem no Brasil. Quando um brasileiro faz turismo sexual no Exterior – às custas dos cofres públicos, é louvável, digno e justo e conta com o beneplácito dos demais colegas de Congresso. Recentemente, uma senadora catarinense viajou com um assessor por três países, ao módico custo de 70 mil reais, pagos sem tugir nem mugir por quem paga impostos no Brasil. E a oposição nem pode chiar, afinal um de seus senadores - antigo comunista, diga-se de passagem - mantinha um efebo estudando teatro em Barcelona. Às nossas custas, é claro.

Já il Cavaliere, para quem mais mulheres menos mulheres não devem fazer nem mossa em seu patrimônio, é um sátiro degenerado.