¡Ay de aquel que navega, el cielo oscuro, por mar no usado
y peligrosa vía, adonde norte o puerto no se ofrece!
Don Quijote, cap. XXXIV

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sexta-feira, setembro 04, 2009
 
SOBRE COLLOR E GETÚLIO,
PAULO COELHO E ADELITA



Há um certo escândalo na imprensa motivado pela eleição do ex-presidente e senador Fernando Collor de Mello para a Academia Alagoana de Letras. Sem ter livros comercializados em livrarias – escreve a Folha de São Paulo - ele vai freqüentar o local que já recebeu nomes como Aurélio Buarque de Holanda e Jorge de Lima. “Pelo edital da AAL, a apresentação de ao menos um livro era um requisito para a candidatura. Collor apresentou sete coletâneas de artigos, discursos e planos de governo publicados por gráficas oficiais, que foram aprovadas pela comissão julgadora da academia alagoana”.

Pelo jeito, nossos jornalistas foram acometidos de amnésia. Até hoje, pelo menos, ninguém lembrou que Getúlio Vargas, sem ter livro algum escrito, vestiu o fardão da Academia Brasileira de Letras. Como livro, apresentou os discursos reunidos em A Nova Política do Brasil, a maioria de autoria desconhecida.

Isso sem falar na Adelita, como se assinava o general Aurelio de Lyra Tavares, outro imortal de escol. Verdade que publicou vários títulos, particularmente sobre engenharia e vida na caserna, mas sem relação alguma com o que costumamos chamar de literatura. O momento alto do currículo de Adelita é sua participação na famosa Junta dos Três Patetas, que governou o país durante sessenta dias, de agosto a outubro de 1969. Foi o que bastou para baixassem o famigerado decreto que exigia diploma para o exercício do jornalismo, só agora revogado pelo STF.

Isso sem falar em Paulo Coelho. Melhor ter como luminar das Letras quem não escreveu nada do que quem escreveu o que escreve Paulo Coelho. Há momentos em que não escrever deve ser visto como respeito à literatura. Collor, pelo menos, teve esse pudor.