¡Ay de aquel que navega, el cielo oscuro, por mar no usado
y peligrosa vía, adonde norte o puerto no se ofrece!
Don Quijote, cap. XXXIV

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sábado, agosto 18, 2012
 
Kashrut, a cozinha que divide:
PODE UM JUDEU TOMAR VINHO CUJA GARRAFA
FOI CHACOALHADA POR UM NÃO-JUDEU?



Não pode.

Pode um vinho ser casher? Pode. Mas que é um vinho casher, se entre uva e uva não existe distinção alguma? Em La Loi de Moïse, Jean Soler explica. Se você pergunta a um enólogo israelita qual é sua definição de vinho casher, você arrisca de metê-lo em apuros. Ele lhe responderá sem dúvida, de forma evasiva, que não há verdadeiros critérios. Sabendo que a noção de vinho casher é desconhecida da Bíblia, você pensará talvez que seu embaraço provém disto. Mas se você insiste, ele dirá: “vinho casher é um vinho que foi feito, do começo ao fim,por judeus”.

Ou seja, mais uma reserva de mercado. Continua o autor de Casher na prática:

- A Torá nos proibiu de beber ou ter qualquer tipo de proveito de vinhos que foram usados na prática de idolatria. Este vinho é chamado de “yáin nessech”. Por causa disto, e também para criar uma cerca que nos proteja de casarmos com não-judeus, nossos sábios proibiram beber ou ter qualquer proveito de qualquer vinho que tenha sido feito ou tocado por não-judeus. Este vinho é chamado de “stam yenam”. Existem também motivos mais profundos para proibir “stam yenam” e, segundo a Cabalá, a pessoa que o bebe causa um grande mal à sua alma e põe em risco sua parte no Mundo Vindouro.

- Quando o não-judeu que fez ou tocou o vinho não for idólatra, apesar de ser proibido bebe este vinho, será permitido ter outro tipo de proveito dele. Portanto, se um muçulmano, por exemplo, tocou no vinho, não precisamos despejá-lo. Neste caso, se o não-judeu mexeu no vinho sem intenção, ou não sabia que era vinho, este será totalmente permitido.

Mas como o vinho se torna proibido? Explica o bom rabino:

- Uma garrafa fechada não fica proibida se tocada por um não-judeu, mesmo que este a tenha levantado e agitado.

- Mesmo uma garrafa aberta que foi levada por um não-judeu não se torna proibida se este não a agitou e não tocou diretamente no vinho. Porém, se o derramou, o vinho se tornará proibido. Com mais certeza, o vinho será permitido se o não-judeu apenas tocou na garrafa, por fora, sem movê-la.

Quer dizer, o problema é chacoalhar. Mas como saber se a garrafa foi ou não chacoalhada por um goy? Profundo mistério. No fundo, não só a produção mas a comercialização e manipulação do vinho deve ser reserva de mercado de judeus. Mas Ezra Dayan vai mais longe:

- Há pessoas elevadas que não tomam de um vinho que foi visto por não-judeus. Contudo, pela lei judaica, este vinho nos é permitido. Tratando-se de um não-judeu que não é idólatra, não há nenhuma razão para evitarmos esse vinho.

Ou seja, se você quiser tomar um vinho com as “pessoas elevadas”, só pondo uma espessa cortina entre você e as elevadas pessoas. Mas estas pessoas elevadas podem beber vinho com um muçulmano. Que, não por acaso, está proibido de beber vinho.

PODE O CACHORRO DE UM JUDEU
COMER A MESMA COMIDA DE UM
CACHORRO DE UM NÃO-JUDEU?


Já vão longe estas considerações sobre a culinária kashrut, e isso que estou resumindo. O livro do rabino Ezra Dayan tem 190 páginas, ricas em regras e interditos para elevar espiritualmente o ser humano e evitar que uma crosta se forme em torno a nosso coração. Já ia colocar um ponto final a esta síntese, mas não resisto a mais um quesito. Pode o cão de um judeu comer a mesma comida que o cão do não-judeu? Poder, pode.

- Se alguém cria um cachorro, há quem diga que é permitido comprar-lhe ração feita de alimentos proibidos, que contenha mistura de carne proibida. Pode-se comprar, para este fim, carne proibida por nossos sábios. Mas não é conveniente.

- É possível permitir carne proibida pela Torá, contudo, é melhor evitar.