¡Ay de aquel que navega, el cielo oscuro, por mar no usado
y peligrosa vía, adonde norte o puerto no se ofrece!
Don Quijote, cap. XXXIV

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domingo, março 07, 2010
 
ESCANDINÁVIA JOGA TOALHA
ANTE CABEÇAS-DE-TOALHA



Continua a passos largos – e cada vez mais aceleradamente – a rendição dos europeus à horda islâmica. Há dois dias eu comentava o caso de um imigrante bósnio muçulmano que foi indenizado com seis mil euros... por recusar-se a apertar a mão de uma executiva sueca. Por um gesto hostil a uma cidadã do país que o acolhe, foi recompensado com uma grana que não é de se jogar fora.

Agora, na vizinha Dinamarca, no início deste mês, o jornal Politiken fez um acordo com oito organizações que representam os 94.923 descendentes do profeta Maomé, por conta da possível ofensa que a publicação das charges sobre o profeta, em 2008, tenha causado aos muçulmanos. A informação é do Spiegel Online, parceiro da publicação. Segundo o editor-chefe do jornal, Tøger Seidenfaden, esta atitude mostra que o diálogo é o caminho a seguir.

Ora, diálogo é sentar para conversar. Pedir desculpas por exercer a liberdade de expressão é renunciar a uma sofrida e relativamente recente conquista do Ocidente, que até hoje inexiste no Oriente, no mundo islâmico, nem nos países ex-comunistas e muito menos nas atuais excrescências comunistas como China, Coréia do Norte e Cuba. Isso sem falar na Venezuela. Seidenfaden não está dialogando. Em verdade, está jogando a toalha nesta luta entre civilização e barbárie.

Se a moda pega, qualquer dia o Vaticano está exigindo censura a jornais que façam charges envolvendo santos ou personagens da Igreja da Roma. Com mais um pouco de audácia, pedirá a interdição de qualquer notícia a respeito dos milhares de padres pedófilos que violentam crianças nos Estados Unidos, na Irlanda, Alemanha, França e Itália ou em qualquer outro país do mundo.

Segundo Seidenfaden, “o acordo pensa no futuro e expressa visões muito sensíveis. Ele pode reduzir as tensões que se mostraram muito resistentes. Isso nos dá esperanças de que as relações entre a Dinamarca e a sua mídia e o mundo muçulmano possam melhorar”. Ora, ceder ante bárbaros não reduz tensão alguma. Pelo contrário, a intensifica. Os muçulmanos que já reivindicam a introdução das leis da Sharia na Europa se sentirão em casa para exigir censura à imprensa.

Enfim, se isto consola, li hoje que cerca de trinta jornalistas do Politiken não estão de acordo com o pedido de desculpas do jornal. Li também que vários políticos também se manifestaram contra. Para a líder social-democrata Helle Thorning-Schmidt, o pedido de desculpas “é loucura. A mídia têm matérias ofensivas todos os dias. Este é o significado da liberdade de expressão”. Para o líder do Partido Socialista do Povo, Villy Søvndal, “a liberdade de expressão não deve ser objeto de negociação”. Mas o mal já está feito.

Pelo jeito, a Europa já não se lembra mais do direito de ofender, consagrado pela Corte Européia de Direitos do Homem. Que, no acórdão dito Handyside, de 1976, declara:

"A liberdade de expressão vale não apenas para as informações ou idéias acolhidas com favor, mas também para aquelas que ferem, chocam ou inquietam o Estado ou uma fração qualquer da população. Assim o querem o pluralismo, a tolerância e o espírito de abertura, sem o qual não existe sociedade democrática".

Não bastasse este recuo covarde do editor do Politiken, uma boa amiga de Estocolmo me envia um link para o Expressen, vespertino sueco. Que mancheteia:

En av Sveriges högsta domare är för månggifte

Traduzindo:

Um dos mais altos juízes da Suécia é pela poligamia

Segundo o juiz Stefan Lindskog, se alguém vive junto com dez mulheres isto quer dizer que nove entre elas não são beneficiadas pela proteção das leis só porque escolheram uma nova forma de convivência. Na defesa do magistrado, vai um óbvio aceno à poligamia muçulmana. Por enquanto, um muçulmano tem direito a quatro mulheres. (Ao Profeta, o bom Alá concedeu onze, inclusive uma de seis aninhos). Lindskog está sugerindo dez.

O que o juiz não explicou – e tampouco lhe foi perguntado – é se seria permissível dez homens a uma mulher. Se poligamia vale em uma sociedade que sempre insistiu na igualdade de direitos entre homem e mulher, poliandria é também digno e justo. Mas isto talvez ofendesse a sensibilidade dos muçulmanos, para quem a mulher está abaixo do rabo do camelo.