PENITENTE DA OPUS DEI CRIA ARGUMENTOS
PARA COMBATER O QUE NÃO EXISTE
Já escrevi que não convém que certos profissionais sejam católicos. Misturam suas crenças ao ofício. Crente não pode ser jornalista. Católico sendo, terá de crer firmemente nos dogmas da virgindade de Maria, da ascensão de Maria aos Céus, na divindade do Cristo, na Santíssima Trindade, na transubstanciação da carne e outros menos prestigiosos. Obviamente, não podemos conferir credibilidade alguma a quem acredita em tais potocas.
É o caso de Carlos Alberto di Franco, articulista do Estadão, membro da Opus Dei, daqueles que usam cilício para penitenciar-se do que o corpo pede. É jornalista que se orgulha de suas deformidades morais: entre outras barbaridades, gaba-se de até hoje ser virgem. Ou seja, é homem que da vida não sabe nada. Como católico, sua crença não lhe fornece base alguma para discutir qualquer coisa. Precisa então criar argumentos que ninguém brandiu para sustentar seu wishful thinking. Ontem ainda, o catolicão penitente escrevia:
“Recentemente, o presidente Lula escorregou. E escorregou feio. Ao lado dos irmãos Castro, representantes emblemáticos da mais longeva das ditaduras, o ex-metalúrgico Lula não condenou a morte de um dissidente do regime. Mandou para o espaço sua biografia e seu passado. E ninguém soube contextualizar minimamente. (...) Ninguém fez uma matéria sobre os porões da ditadura cubana. Ficamos, no entanto, reféns daqueles que querem fazer uma revisão seletiva da História brasileira. Punir os militares e preservar os guerrilheiros”.
Longe de mim defender o analfabeto-mor. Mas, ao que tudo indica, o catolicão da Opus Dei não lê nem mesmo o jornal em que escreve. Não só o Estadão, mas toda a grande imprensa brasileira, condenaram com veêmencia a omissão de Lula e têm denunciado continuamente a ditadura cubana. Em falta de argumentação, o jornalista papista cria outros argumentos fictícios para montar um raciocínio:
“A Venezuela é outro capítulo. Cansamos de dar espaço aos destemperos de Hugo Chávez. Declaratório e mais declaratório. Mas onde está a radiografia informativa do descalabro do governo Chávez? Fazemos pouco, muito pouco. Questionado pelo jornal O Estado de S. Paulo, Lula afirmou textualmente: "Eu acho que a Venezuela é uma democracia." Não estaria aqui o gancho para uma bela pauta? Não seria a ocasião para mostrar, com informação objetiva, o oportunismo ideológico de um presidente que costura uma estratégia de liderança do Terceiro Mundo com olhos postos numa aposentadoria internacional carregada de protagonismo? O leitor, que não é tonto, pula fora. Não quer ser conduzido. Ele quer informação, não quer controle gramsciano da notícia”.
Que a imprensa dá espaço aos destemperos de Chávez, isto é verdade. À imprensa cabe noticiar o que dizem os clowns, ainda mais quando são presidentes. Mas não é verdade que a imprensa não tenha mostrado o oportunismo ideológico de Chávez. Isto tem sido denunciado em todos os jornais. Di Franco está se revelando discípulo do Aiatolavo de Carvalho, que considera que Gramsci – ao lado do tal de Foro de São Paulo – é o grande responsável pelos males do Brasil. Ora, não é preciso ler Gramsci para se intuir que, dominadas a imprensa e a universidade, está dominado o pensamento do país. Quanto ao tal de foro – mais um Woodstock da esquerdas que outra coisa – é muito menos relevante que a ação da guerrilha católica, o MST, criado pela CNBB, com o apoio de Fernando Henrique Cardoso e Lula.
Di Franco cria fatos que não existem, para melhor combatê-los. Típico de quem não tem argumento algum. Não basta combater as esquerdas para ser honesto. Não poucas vezes, isto é sinal de oportunismo.