Páginas

sexta-feira, março 12, 2010

VEJA VAI DE
MAL A PIOR



Não bastasse ter um correspondente plagiador sediado em Paris e um falsificador dos próprios textos em sua redação em São Paulo, Veja anda confundindo economia com sexualidade. Em http://veja.abril.com.br/testes/classe-social-voce-pertence.shtml, propõe:

TESTE SEU QUOCIENTE DE INTIMIDADE SEXUAL

Uma das formas consagradas pelo mercado para definir a condição econômica de uma família é a divisão entre classes A1, A2, B1, B2, C, D e E. O enquadramento é feito a partir do grau de instrução do chefe de família e da posse dos chamados "itens de conforto familiar". Preenchendo as questões a seguir com as informações sobre a sua família, você poderá descobrir a que classe econômica pertence, conforme esta classificação, feita pela Ipsos/Marplan.


Ora, estes dois quesitos nem de longe definem classe social. Pouco ou nada significa ter grau universitário nestes dias em que engenheiros trabalham como marronzinhos fiscalizando carros nas ruas e advogados ganham sua vida como taxistas ou despachantes. Por outro lado, ter um carro em casa a ser pago em 70, 80 ou 90 meses, significa apenas que uma pessoa está fingindo levar uma vida que não pode levar.

São testes que não têm sentido. Por brincadeira, várias vezes preenchi os quesitos propostos. Ora estou na classe A, ora na C, ora na D. (Verdade que na E ainda não cheguei). Tenho doutorado e pós-graduação no Exterior, mas nunca tive carro nem rádio em casa. No máximo, uma bicicleta. Em priscas eras, tive um cavalo. Não como luxo, e sim como instrumento de transporte.

Desde meus 24 anos, viajo praticamente todos os anos à Europa, mas jamais tive sítio ou casa de praia. Girei por quase todo Ocidente e parte do Oriente, mas meu guarda-roupa consiste em três ou quatro calças, umas dez camisas e duas ou três jaquetas. E até acho que tenho demais. Faz quase trinta anos que usei gravata pela última vez. Foi em março de 1981. Não que usasse gravata. Mas meu orientador recomendou uma para a defesa de tese. Naqueles idos de 81, foi também a última vez que usei terno.

Tenho uma biblioteca de uns cinco mil volumes... e um celular antediluviano, que minha faxineira se envergonharia de usar. E o tenho porque herdei da falecida. Não fosse isso, talvez nem o tivesse. Mesmo assim, é como se não tivesse. Só o uso aos sábados e domingos, das 13hs às 15hs.

Isso de medir classes pelas posses é grossa bobagem. Tais pesquisas, mais que classe social, mostram o nível de endividamento de quem gosta de posar de rico. A recente crise do subprime nos Estados Unidos mostrou isto sobejamente. Há milhões de pessoas vivendo vidas fictícias, penduradas no crédito e nos cartões de crédito. Isto está ocorrendo na Suécia, na Espanha, até mesmo na Islândia. Quanto aos demais países europeus, o estouro da bolha é apenas questão de tempo. Falar nisso, só fui descobrir cartão de crédito há uns cinco anos. É que os hotéis no estrangeiro agora exigem cartão dos hóspedes, mesmo que a conta já esteja paga. Não há como escapar.

Mas o problema nem é este. Que tem a ver quociente de intimidade sexual com a classe econômica a que você pertence?

Não entendi.