¡Ay de aquel que navega, el cielo oscuro, por mar no usado
y peligrosa vía, adonde norte o puerto no se ofrece!
Don Quijote, cap. XXXIV

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sábado, novembro 24, 2007
 
TARDE PIOU FHC



Fernando Henrique Cardoso, falando durante o Congresso Nacional do PSDB, pretendeu rebater as críticas do PT de que seu partido e seus membros são elitistas. "Nosso partido tem gente acadêmica, não temos vergonha disso. Tem gente que sabe falar mais de uma língua, e também sabemos muito bem falar a nossa língua. Muitos brasileiros ainda não puderam saber falar bem a nossa língua e muito menos as outras. E nós faremos o possível e o impossível para que saibam falar bem a nossa língua. Queremos brasileiros melhor educados, e não brasileiros liderados por gente que despreza a educação, a começar pela própria."

A farpa tem endereço óbvio. Lula repetidamente gaba-se de não ter instrução alguma. Desde há muito – mais precisamente, desde 2002 – o defini como o Supremo Apedeuta, o analfabeto-mor da nação. Não que não saiba ler. Lula pertence a uma estirpe pior ainda, aquela da qual Mário Quintana disse: pior analfabeto é aquele que sabe ler e não lê.

Tarde piou FHC. Isto precisava ser dito há uns bons dez anos. Agora o analfabeto foi eleito, reeleito e só não será reeleito mais uma vez se não quiser. No entanto, o ex-presidente parece desconhecer o país que já dirigiu. Porque entre os eleitores do Apedeuta havia, é verdade, uma grande massa de analfabetos. Mas quem o impôs a esta grande massa foi uma pequena elite, educada nas melhores universidades do país e do Ocidente. A responsabilidade pela eleição do analfabeto pode ter sido, em última instância, disso que chamamos de povão. Mas em primeira instância, não. Lula é um rebento espúrio de uma partouse entre USP, Igreja Católica e grupos marxistas do país.

A crise que o país vive decorre da irresponsabilidade de elites muito bem-educadas e muito bem-falantes. Desde seu surgimento, a universidade brasileira deixou-se encantar pela sereia do marxismo. Fernando Henrique, com toda erudição e domínio de línguas, foi um dos encantados. Desde os anos 30 para cá, gerações e mais gerações de brasileiros foram levados por estas elites universitárias rumo a uma ideologia obsoleta, nascida no século XIX. Não só a universidade brasileira, mas também a latino-americana.

Ora, se as elites intelectuais de uma nação se deixam levar por utopias socialistas, que se pode esperar do povo? Nada, é claro.