¡Ay de aquel que navega, el cielo oscuro, por mar no usado
y peligrosa vía, adonde norte o puerto no se ofrece!
Don Quijote, cap. XXXIV

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quarta-feira, julho 01, 2009
 
FSP ALEGA PLURALISMO
PARA MANTER COLUNA
DE SENADOR CORRUPTO



Quando Flávio Alcaraz Gomes, todo-poderoso jornalista da Caldas Júnior, de Porto
Alegre, destroçou a calota craniana de uma menina com um tiro de escopeta, foi demitido da empresa na mesma noite do crime. Quando Pimenta Neves, diretor de redação do Estadão, assassinou com dois tiros pelas costas sua amante, também foi demitido. Certo, José Sarney não matou ninguém. Mas quem mata uma pessoa mata apenas uma pessoa. Sarney, ao usar o Senado para empregar seus parentes e seus cupinchas, lesou a nação inteira. Reproduziu na mais alta instância legislativa do País as práticas feudais dos senhores de baraço e cutelo.

Continua no entanto assinando serenamente sua crônica na Folha de São Paulo. Segunda-feira, 22 de junho, perguntei ao ombudsman se o jornal manteria a coluna do senador ladrão. Na quinta-feira, 25, recebi como resposta:

Caro Senhor Janer,

agradeço sua manifestação, levada ao conhecimento da direção do jornal.
Atenciosamente,

Carlos Eduardo Lins da Silva
Ombudsman - Folha de S.Paulo


Hoje é quarta-feira, 30 de julho. Resposta alguma da direção do jornal. Sei que outros leitores da Folha estão encaminhando a mesma pergunta ao ombudsman. Resposta recebida por um deles:

O pluralismo é um dos pilares do projeto editorial da Folha. A presença de José Sarney como colunista do jornal atende a esse requisito de pluralidade.

Esperamos que o sr. continue como nosso leitor.

Grato,

Ricardo Melo, secretário-assistente de Redação


Ou seja: amanhã, o impoluto prócer da República estará digredindo olimpicamente sobre o sexo dos anjos, como se mácula alguma tingisse seu nome. Que seus pares o protejam, entende-se. Todos têm o rabo preso. Mas um jornal que se pretende independente não tem porque segurar um senador corrupto. O secretário-assistente de Redação alega pluralismo. Não é o caso.

Pluralidade de opiniões é uma coisa. Conivência com a corrupção é outra. A Folha, que pretende ter o rabo preso com o leitor, em verdade tem o rabo preso com o senador.