¡Ay de aquel que navega, el cielo oscuro, por mar no usado
y peligrosa vía, adonde norte o puerto no se ofrece!
Don Quijote, cap. XXXIV

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quarta-feira, outubro 13, 2010
 
TRISTE VER


Sangra mucho el corazón del que tiene que pedir – dizia Hernández. Menos o coração dos políticos, que nestes dias imploram votos. De repente, a marxista Dilma Rousseff, em sua biografia refeita, virou pessoa de “sólida formação moral e religiosa". Em foto no Vaticano, a petista surge de véu ao lado do papa Bento XVI, sob os dizeres "braço direito de Lula, Dilma viaja o mundo reafirmando seus valores e sua fé". Em época de eleições, até comunista lambe o pontíficio escroto.

O outro velho comunossauro, José Serra, mostra fotos de sua primeira comunhão. Em fotos destes últimos dias, aparece beijando um terço e praticando o ritual canibalístico de comer a carne do Cristo. Não vimos o novel papa-hóstias confessando. Como para comungar o católico precisa estar em estado de graça, é de supor-se o tucano não cometeu nenhum pecado mortal nas últimas décadas em que não comungou. No programa de segunda à noite, usou o feriado de Nossa Senhora Aparecida para advogar por "bons exemplos de união, de fé, de respeito à liberdade e valores cristãos". Santo homem. Prontinho para ser canonizado.

Quanto a dona Dilma, preferiu não comer carne humana. Vai ver que, em função de sua sólida formação moral e religiosa, sentiu-se impedida de comungar. Que horrendos pecados portará o coração de pomba mansa da candidata?

O que não me espanta. No fundo da alma de todo comunista está um religioso enrustido. Não por acaso, o primeiro país do mundo a adotar a tirania marxista foi a Rússia católica. E os partidos comunistas mais fortes da Europa vicejaram nas catolicíssimas Itália, França e Espanha.

Palhaçada. E ainda há quem reclame do Tiririca, que pelo menos não recorreu a essa demagogia barata de última hora. Tiririca foi o voto Cacareco. Como os mais novos desconhecem Cacareco, explico. Era um rinoceronte do zoológico de São Paulo, que ganhou cerca de 100 mil votos nas eleições de outubro de 1959 para vereador da cidade. Eram os bons tempos em que a eleição era realizada com cédulas de papel e os eleitores escreviam o nome de seu candidato de preferência. O partido mais votado não chegou a 95 mil votos. A diferença do atual voto Cacareco é que o rinoceronte levou mas não tomou posse. Hoje, o palhaço foi eleito e mais: levou junto três ou quatro vagabundos para o Congresso.

De repente, não mais que de repente, papistas e evangélicos assumiram o fiel da balança no segundo turno. Neste país em que aborto é tipificado como crime – e onde se praticam um milhão de abortos por ano, sem que ninguém seja punido – os religiosos pretendem levar os candidatos a se comprometerem em não legalizar o que há muito está legalizado. A candidata petista, aborcionista de carteirinha, do dia pra noite vira defensora da vida. O tucano não poderia ficar atrás e declara que se o aborto fosse legalizado, no dia seguinte teríamos uma carnificina. Se eleito, deveria cortar relações com Europa, Canadá, Estados Unidos e demais países ditos civilizados, onde se cometem carnificinas todos os dias.

Ser candidato a qualquer cargo político no Brasil é sinônimo de mentir. Precisa agradar todas as platéias. Se está ante um público gay, se manifesta a favor de uma legislação contra a homofobia. (Aliás, vou me divertir muito se tal lei for aprovada. Para começar, os padres não poderão citar a Bíblia). Se está em meio a religiosos, se manifesta contra o homossexualismo. O mesmo diga-se em relação ao aborto. A terceira candidata, o ET de Xapuri, preferiu sair pela tangente: submeterá a questão a plebiscito.

Triste ver líderes que pretendem conduzir a nação mentindo todos os dias na imprensa. E mentindo da forma mais vil, negando hoje o que disseram ontem. Triste ver gente que se pretende adulta mendigando votos. Triste ver pessoas se despindo de qualquer dignidade para chegar ao poder.

Triste ver um país onde ser candidato vira sinônimo de ser canalha.