COMO CASTIGAR UM PAI
Faz muito tempo que a França vem lutando contra os signos religiosos nas escolas públicas. Semana passada, uma comissão parlamentar recomendou proibir o uso do véu integral em todos os serviços públicos. O Parlamento está estudando o veto total, isto é, também nas vias públicas. Por véu integral entenda-se o nikab e a burka. O nikab é uma indumentária árabe, que cobre o corpo todo e deixa apenas os olhos à vista. Já a burka é afegã. Cobre todo o corpo e mesmo os olhos. A mulher só consegue ver o mundo através de uma espécie de grade. Não confundir com o chador, que de árabe nada tem. É iraniano, cobre o corpo mas deixa o rosto a descoberto.
A proibição do véu integral é projeto de André Guèrin, deputado comunista do departamento de Rhône, que, no verão passado, definiu estas vestes como mortalhas. Um mês depois, Nicolas Sarkozy qualificou-as como sinal de servidão. "A burka não é bem-vinda na França", disse.
Aconteceu ontem. Segundo a BBC, o governo francês recusou conceder a cidadania a um residente que obrigou sua mulher a cobrir-se com o véu islâmico integral. O Ministério da Imigração considera que tal prática priva a mulher de sua liberdade de viver com o rosto descoberto. O homem, cuja nacionalidade não foi divulgada – como sempre acontece quando o criminoso ou infrator é negro ou árabe – precisa da cidadania para estabelecer-se no país junto à sua mulher, que é francesa. Aliás, nem o tipo de véu foi divulgado, para não revelar se o marido é árabe ou afegão. O bruto é recebido em um país estrangeiro e quer obrigar uma nacional a suas práticas bárbaras.
Eric Besson, o ministro de Imigração, explicou em comunicado as razões da recusa mediante um decreto ministerial: "Tornou-se evidente durante a investigação e na entrevista prévia que esta pessoa estava obrigando sua mulher a portar um véu de corpo inteiro, o que a privava de sua liberdade de ir e vir com o rosto descoberto, e recusou os princípios de secularismo e igualdade entre homens e mulheres”.
Acrescentou ainda que a lei francesa estipula que quem quer que queira naturalizar-se deve demonstrar seu desejo de integrar-se. A medida teve um precedente em 2008, quando um tribunal negou a cidadania a uma marroquina alegando que sua prática islâmica radical era incompatível com os valores franceses.
Tarde piaram os franceses. Após décadas de imigração muçulmana, só agora percebem que um imigrante deve demonstrar o desejo de integrar-se. Ao mesmo tempo, o Estado francês financia a construção de mesquitas para muçulmanos. E ainda há francesa que ouse casar com um desses animais. Desconheço detalhes do caso. Mas este tipo de francesa, eu as conheço. São em geral meninas revoltadas, com provável formação marxista, que querem punir o “pai burguês”.
E não há melhor maneira na França de machucar um pai do que casar com um muçulmano.