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sexta-feira, fevereiro 12, 2010

CORRESPONDENTE DE VEJA
EM PARIS CHUPA TEXTO



Na Veja on line de ontem, lemos o texto que segue, de Antonio Ribeiro, correspondente da revista em Paris. Abaixo, reproduzo o artigo que foi chupado pelo brilhante jornalista. É profissional ágil: plagiou o artigo no mesmo dia em que foi publicado. Se este senhor continuar trabalhando na revista, Veja está definitivamente desmoralizada. Que um redator se aproprie de uma notícia divulgada por agências internacionais e jornais do mundo todo, isto se entende. Não há como citar todas as fontes e a notícia virou coisa pública. Se vou citar uma declaração de Obama ou do papa, proclamada urbi et orbi, é claro que se dispensa a fonte.

Daí a se apropriar de uma reflexão pessoal de um jornalista, vai uma longa distância. Isto sem falar que a reportagem do repórter britânico não tem fundamento algum. Puro ciúme de ilhéu. O correspondente está há anos em Paris e ainda não entendeu a cidade. Para informar-se, recorre a um bobalhão inglês.

BAR CAFÉ: O DECLÍNIO DE UMA INSTITUIÇÃO

Ainda está para nascer melhor cronista dos modos e costumes parisienses do que o autor de A Comédia Humana, o escritor francês Honoré de Balzac (1799 -1850). É de sua autoria o mais fundo conceito do bar café, considerado instituição no seu país. “O café da esquina é o parlamento do cidadão comum.” Le bistrot du coin ao lado da Torre Eiffel, do vinho e do queijo, da moda e dos museus, e tantos outros estereótipos que desenham no imaginário, a cédula de identidade da França, não é só lugar de consumo. Ali junto ao balcão de zinco, entre cadeiras raquíticas e sobre as mesas de madeira esculpida pela frequência, pode-se aferir em ritmo cotidiano, a disposição do espírito nacional. Incontornável ponto de visita de quem apropria-se dos hábitos locais mesmo que por breve momento, como fazem os turistas.

Contudo, o tecido formado pelos tradicionais bares cafés da capital francesa se rarefaz desde a década de 60. Eram 200.000 à época enquanto hoje, sobraram apenas 30.000. A maioria dos 64 milhões de franceses observavam o fenômeno como sucedâneo natural dos tempos e com certo descaso, semelhante ao desaparecimento das lendárias concierges, as zeladoras dos prédios. Só no ano passado, 2.000 pequenos cafés e bistrôs de bairro fecharam para sempre, uma média de 6 por dia. A rapidez da extinção tocou o sinal de alarme, rompeu os portões do Senado para se instalar no plenário como pauta de debate. A questão é premente se considerada a perda de 12% no faturamento dos proprietários de cafés em 2009.

Várias pistas explicam o declínio dos cafés, também conhecido como a “sala de estar dos pobres”. Os proprietários reclamam dos impostos pesados, dos encargos sociais que se adicionam aos salários dos empregados, das campanhas governamentais contra o consumo de bebidas alcoólicas e da lei anti-tabagista cujo efeito, foi o desaparecimento da nuvem de nicotina e 6% da clientela. Na lista de queixas figura também a perda de poder aquisitivo dos franceses. No lugar de pedirem a tradicional entrada de ovos com maionese seguida de filé com fritas regado com vinho e arrematar com um crème brûlée, os clientes preferem aplacar a fome com refeições mais rápidas e baratas. O sanduíche de baguete com presunto acompanhado de Coca Light, por exemplo.

Pagar mais de 1,50 euro por uma xícara de café expresso tornou-se proibitivo em tempos de crise. A máquina de expresso caseiro, tipo Nespresso, o da publicidade do ator americano George Clooney, quebrou o monopólio do tradicional café preparado com famosas máquinas italianas nos bares parisienses. Os cafés de esquina passaram a sofrer concorrência direta de redes com ambientes espaçosos, confortáveis e com conexão gratuita e sem fio à internet como Starbucks, onde há vários tipos de café. Se antes era pitoresco, turistas toleram bem menos o mau humor dos garçons, as idiossincrasias dos donos cujo senso comercial de antanho, a lei da oferta e procura, deu lugar ao decreto do “entre, consuma o máximo, pague e vá embora.” O cliente que faz um pedido fora do cardápio ou prefere outra mesa difenrente da indicada, parece ofender o estabelecimento comercial.

O governo preconiza medida geriátrica para salvar os cafés que restaram. “O bar café deve oferecer múltiplos serviços”, diz o ministro das Cidades e Espaço Rural, Michel Mercier. Leia-se, transformar-se em uma espécie de entreposto do estado. Ou seja, além de propor comes e bebes, deve vender bilhetes do metrô, selos postais, loteria. Já é o caso de muitos, sem conseguir inverter a curva. Na verdade, os pequenos bares cafés são vítimas mais frágeis daquilo que o governo francês faz de modo exemplar. Quando uma empresa vai bem, impõe taxas. Se continua sobrevivendo, criam regulamentações. Quando começam a dar prejuízo, subsidiam.

Já nos anos 80 alguns anteviram a crise criando o que pode ser considerado como a nova geração dos cafés parisienses, a chamada revolução Costes-Stark - junção dos nomes dos proprietários do Café Costes e do designer Philippe Stark, que decorou o interior. Os bares café foram recriados criados com ambientes mais luxuosos, atmosfera temática - poéticos, musicais, étnicos, artísticos, literários, esportivos - serviço atencioso, quase sempre de jovens que reconhecem o cliente na segunda visita.

Por Antonio Ribeiro