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terça-feira, fevereiro 02, 2010

A HUMANIDADE
NÃO TEM CURA


Nos dia de ginásio, escrevi a quatro mãos uma pecinha de teatro. Se bem me lembro, tratava de um júri sobre um crime qualquer decorrente de adultério. Se não lembro muito bem do tema, lembro muito do teor das bobagens que escrevemos. Eu e co-autor, que de Direito nada entediamos, fomos desenvolvendo argumentos descabelados. A peça até foi encenada, para minha vergonha. Pior ainda, tendo como intérprete uma menina que eu adorava. Quando a vi no palco, recitando aquelas besteiras, me senti o último dos homens.

Semana passada, zapeando, vi filme que me pareceu interessante. Resolvi investir no filme. Aos poucos, fui me dando conta que era o Código da Vinci. Que eu havia visto, também por acaso, há mais de ano. O filme me tocou tanto que já nem o lembrava. Ridículo. Talvez mais ridículo que minha pecinha de teatro quando ginasiano. Espantoso que tal besteirol tenha tido uma bilheteria imensa. E que o livro tenha vendido tanto. O que só confirma minha velha tese: quando algo, livro ou filme, de repente, vende aos milhões, não pode ser coisa que preste.

Tanto o filme me tocou, que escrevi sobre ele e já não lembrava do que havia escrito. Uma rápida pesquisa no Google me remeteu a meu artigo, de dezembro de 2008. Que republico agora. A humanidade não tem cura.


FRANÇOIS MITTERRAND
SITUA O SANTO GRAAL



Já escrevi algumas linhas sobre O Código da Vinci. Sem jamais ter lido o livro nem visto o filme, considero ser uma obra ridícula. Nunca consegui entender a preocupação da Igreja em contestar uma tese sem pé nem cabeça. Não faltou quem me chamasse de preconceituoso. Que não podia criticar uma obra que não havia lido. Ora, certas obras não precisam ser lidas para serem julgadas. Basta venderem milhões de exemplares mal saem do prelo. Sinal óbvio de que não valem nada.

Hoje, o filme estava passando na Globo e decidi vê-lo até o final. Há décadas não via algo tão medíocre. Pela cena final, temos de concluir que foi François Mitterrand quem situou definitivamente o Santo Graal.

Um de meus interlocutores acha a idéia do livro interessante, por decifrar enigmas. Se os decifrasse, tudo bem. Acontece que não decifra nada. Só confunde. A tese sobre o Santo Graal é tosca. A idéia da Maria Madalena como a discípula mais amada também não se sustenta. Em suma, o que o autor quis foi ganhar dinheiro em cima dos mitos bíblicos.

Aliás, a santificação da madalena está na moda. Deve ser reflexo do feminismo. Ainda há pouco, vi um documentário sobre a Maria de Magdala. Teólogos pretendem que a madalena seja o discípulo amado - assim no masculino - que Jesus cita mas não nomeia. Estaria no masculino porque a época não aceitaria a idéia de uma mulher como apóstolo. De onde se concluiria que o Evangelho de João não foi escrito por João, mas pela madalena. Ora, especulação por especulação, prefiro então Guerra nas Estrelas.

Já um outro leitor alega que se obras que vendem milhões de exemplares não valem nada, então a Bíblia ou Dostoievski não valem nada. Alto lá, companheiro! Uma coisa são bestsellers instantâneos, que surgem do dia para a noite e sempre estão na lista dos mais vendidos. Outra coisa são obras reproduzidas aos milhões... no decorrer dos séculos.

A estes, chamamos clássicos.