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domingo, fevereiro 14, 2010

VEJA NÃO PUBLICA
CRÍTICAS A PLÁGIO



Caro Janer,

sou leitor assíduo tanto da revista quando do site da Veja. Isso não significa que seja fã incondicional, apenas considero suas matérias e textos um pouco acima da média da imprensa nacional. Pois bem, ao constatar realmente a semelhança do texto do sr. Antonio Ribeiro, comentei em sua coluna e também dei o link do teu blog. Também mandei um e-mail à redação de Veja alertando sobre o plágio e solicitando que tomassem providências, pois embora não seja o caso para uma ação judicial, tal fato mancha a credibilidade da revista e dá munição aos seus desafetos ressentidos e inimigos declarados. Enfim, meu comentário não foi publicado pelo colunista, tampouco recebi resposta da redação.

No mesmo dia, ao entrar no site do Paulo Henrique Amorim - esse sim pura perda de tempo -, leio a notícia em caixa alta e de forma tosca (refiro-me à diagramação da página) que a Globo não revela que o ex-ministro Armando Falcão, notório perseguidor político nos tempos da Ditadura, era homem do sr. Roberto Marinho. Resolvi escrever na caixa de comentários: PHA, o senhor por muito anos trabalhou na Globo. Pelo visto o Falcão não foi o único homem do dr. Marinho.

Obviamente o comentário não foi publicado. Mas nesse caso, o erro foi todo meu. Desde há muito sei do caráter dessa pessoa, não só por seus atos públicos, mas também por conhecer alguns jornalistas de grandes jornais que já conviveram com a figura. Poderia também dizer que ele é uma espécie de Dona Flor. Mas ao contrário da personagem do "genial baiano" Jorge Amado, renega o falecido. No momento o jornalista é gigolô do bispo Macedo, quem lhe garante os pagamentos das contas. O futuro está para quem der e vier.

É isso, enfim, nada de novo no front.

Saudações

Paulo Augusto



Pois, meu caro Paulo Augusto, descobri a coisa por acaso. Recebi o artigo e deparei-me com uma afirmação inverossímil. Que os cafés de Paris, que eram 200 mil nos anos 60, agora seriam 30 mil. Até pode ser que hoje sejam 30 mil. (Outras estatísticas que li falam em 40 mil). Que tenham diminuído, admito. Mas não podiam ser 200 mil nos anos 60. Basta um simples cálculo. Em 2004, Paris tinha 2.142.800 habitantes. Vamos até deixar de lado que nos anos 60 teria menos. Ora, isso dá um café para cada 10,7 habitantes. Não dá! É estatística que foi chutada para defender algum interesse qualquer, que honesto não há de ser.

Procurei checar a notícia e lá estava o artigo do jornalista britânico. Sexta-feira passada, enviei o link para a coluna do “correspondente”. Meu mail tampouco foi publicado. Mas encontramos nos comentários laudações como esta:

Prezado Antonio,
Você tem mostrado um retrato e trazido para nós os ares de Paris e da França como ninguém. Não leio em jornal nenhum o que você escreve. É um prazer renovado ler sua coluna. Este último post sobre os bistrôs é uma delícia.


Ora, se é para copiar artigos da Web, não é preciso postar correspondente algum na Europa. Pode-se copiar daqui mesmo. Em outro comentário, vemos para onde apontam as notícias sobre a decadência de Paris:

A isso chamo de tiro certeiro, bem no alvo. Mas só mesmo os franceses para explicarem os franceses. Deixaram Karl Marx escrever em Paris algo semelhante com a situação atual: “Em breve a concorrência americana destruirá o monopólio europeu”. O francês, em 1748, dizia que a Europa fazia o comércio do mundo inteiro e só os romanos alcançaram tamanho poder. Marx construiu a sua tese em cima do pensamento de Platão. Veja só, queria acabar com o dinheiro, está acabando com Paris!

Vinte anos depois da queda do Muro e do desmoronamento da URSS, continua vivo o ódio de Marx à Europa. Ou o ódio de Hitler a Paris, quando perguntou ao general von Choltitz: “Paris está em chamas?” Sim, Paris hoje está em chamas. Especialmente nos réveillons. Mas está ameaçada não pelo capital, não como castigo de sua cultura e beleza, nem de sua pompa e sofisticação. Está ameaçada pela invasão islâmica. Que, não por acaso, é defendida pelas viúvas do Kremlin. Se o marxismo não conseguiu destruir a Europa e seus ideais de liberdade e democracia, espera-se que o Islã a destrua.

Veja não aceita críticas ou denúncias de suas mancadas. Isto não é de hoje. Em 1983, a revista endossou como verdade científica uma brincadeira de 1º de abril, lançada pela revista inglesa New Science. Tratava-se de uma nova conquista científica, um fruto de carne, derivado da fusão da carne do boi e do tomate, que recebeu o nome de boimate. Se a editoria de ciências de Veja visse esta notícia num jornal brasileiro, evidentemente ficaria com um pé atrás. Para a revista, a experiência dos pesquisadores alemães permitia "sonhar com um tomate do qual já se colha algo parecido com um filé ao molho de tomate. E abre uma nova fronteira científica". Isso que a New Science dava uma série de pistas para evidenciar a piada: os biólogos Barry McDonald e William Wimpey tinham esses nomes para lembrar as cadeias internacionais de alimentação McDonald´s e Wimpy´s. A Universidade de Hamburgo, palco do "grande fato", foi citada para que pudesse ser cotejada com hamburguer.

Os alertas de nada adiantaram. Como se tratava de uma prestigiosa publicação européia, a Veja embarcou com entusiasmo na piada. Se alguém acha que o arguto redator que caiu nesta piada foi demitido, engana-se redondamente. Foi promovido. Hoje é diretor de redação da revista.

É deplorável que um jornal que vive condenando o autoritarismo do governo petista não aceite a menor crítica a um jornalista desonesto.