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sábado, fevereiro 06, 2010

FRANÇA JÁ NÃO PODE RECENSEAR
NEGROS, ÁRABES E MUÇULMANOS



Na França não se pode mais chamar muçulmano de muçulmano, comentei há alguns dias. Jean-Claude Gaudin, o prefeito de Marselha, disse alegrar-se pelo fato de os muçulmanos estarem felizes com um jogo de futebol em que venceram os argelinos e foi severamente condenado pela imprensa francesa, como racista. Como se religião fosse raça. O prefeito submeteu-se bonitinho ao politicamente correto e no dia seguinte estava pedindo desculpas.

- Usei uma palavra infeliz, cometi um lapso, quando disse muçulmanos, em vez de falar de comunidade muçulmana, de franceses vindos da Argélia ou oriundos da diversidade da diversidade da imigração. Se fui inábil, se cometi um lapso, isto pode acontecer.

Escrevi na ocasião: “Mais um pouco e francês não poderá chamar árabe de árabe. É esperar para ver”. Não precisa esperar mais. Leio no El País que a França desistiu de seu plano para estatísticas étnicas. O comitê de especialistas que desde há dez anos, por encargo do governo francês, delibera se deve existir uma lei que permita elaborar estatísticas étnicas, tornou ontem pública sua decisão: não há necessidade de uma nova lei. A França já contaria com instrumentos suficientes para descobrir a discriminação por cidadania.

Há mais de dois anos, Nicolas Sarkozy encarregou Yazid Sabeg, comissário da Diversidade, que estabelecesse as “ferramentas estatísticas necessárias para radiografar a sociedade”. Ora, impedir estatísticas e enquetes nas quais os dados relevantes sejam a cor da pele, a origem ou outro signo possível de discriminação (leia-se Islã) é uma das regras de ouro da França. Os defensores do censo étnico argüiam que isto seria uma maneira útil de ver a sociedade para corrigi-la. Os críticos consideram a medida como uma solução puramente racista.

Venceram estes últimos. A França não pode mais informar-se de quantos negros, árabes ou muçulmanos habitam seu território.