ALEPH DE KAZANTZAKIS:
O CRISTAL DE CALIPSO
Comentei outro dia a espantosa coincidência entre a definição do ponto Aleph de Jorge Luís Borges e o porviroscópio de Monteiro Lobato. A questão parece ser bem mais complexa. De uma boa amiga, estudiosa de literatura grega, recebo este texto de Kazantzakis:
Salut, Janer, obrigada pelo seu artigo! Mas veja só esta passagem da Odisséia do Kazantzakis: Odisseu quer presentear Helena com um objeto que ganhou de Calipso. Trata-se de (vou usar a tradução francesa, embora seja discutível em vários pontos):
"... un cristal magique, semblable à un oeil; tous les pays et toutes les mers se reflètent dans son eau. Chaque maison, l'une après l'autre, perd ses toits et révèle ses hontes, les crânes transparents, ouverts comme des nénuphars, émergent à la miroitante surface, tous les secrets passent, comme des minuscules poissons d'or dans un globe de verre.
Les armées, comme des fantômes, s'agitent aux confins du monde; tout au bord, les royaumes, tels de nuages, surgissent et disparaissent, tandis que d'autres s'élèvent en tempête derrière eux. Toute la vie humaine et terrestre se reflétait dans le cristal, comme si elle n'eût été qu'un jeu de lumière, d'eau et de vent incertain."
Observação: a Odisséia foi publicada na íntegra em 1938 (em sua 7ª versão). A 1ª versão escrita é de 1924, tendo havido publicações parciais em jornais gregos. Conheceriam Monteiro Lobato ou Borges o cristal de Calipso? Difícil comprovar...